Não, não é cansaço... É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar, E um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo...
Álvaro de Campos
Hoje é Dia Universal da Desilusão nesta caixinha mágica que me habita, a que vulgarmente chamamos coração...
Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou num segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar
Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora
Na minha casa tem um cavalo tordilho
Que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem
E quando pego o meu pingo e encilho
Corro mais que limpa trilho e chego na frente do trem
Em plena semana da leitura, tropeçando num amontado de livros, nenhum me chama a atenção.. abro um ao acaso e dou com este texto: «Perdoava-o! Como era possível que a inocente moça nãos e apercebesse da frieza expressa nesta carta? Para as moças educadas religiosamente, ignorantes e puras, é tudo amor mal entram nas regiões encantadas do amor».
Perdi meus fantásticos castelos Como névoa distante que se esfuma... Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los: Quebrei as minhas lanças uma a uma!
Perdi minhas galeras entre os gelos Que se afundaram sobre um mar de bruma... - Tantos escolhos! Quem podia vê-los? – Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!
Perdi a minha taça, o meu anel, A minha cota de aço, o meu corcel, Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas... Sobre o meu coração pesam montanhas... Olho assombrada as minhas mãos vazias...
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas" Nota: não perdi perdi castelos nenhuns, apenas perdi a ilusão de os ter...
Como expliquei na postagem introdutória, este blog pretende vincar as emoções tristes e por isso quero que o primeiro poema seja de Florbela.
Aproveito para lhe deixar um agradecimento de cumplicidade de tantas horas a sofrer os mesmos sentimentos.
Vamos ao poema:
Não sei quem és. Já não te vejo bem... E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...) Sonho que um outro sonho me desfez? Fantasma de que amor? Sombra de quem? Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?... - Não sei se tu, amor, assim me vês!... Nossos olhos não são nossos, talvez... Assim, tu não és tu! Não és ninguém!... És tudo e não és nada... És a desgraça... És quem nem sequer vejo; és um que passa... És sorriso de Deus que não mereço... És aquele que vive e que morreu... És aquele que é quase um outro eu... És aquele que nem sequer conheço... Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
Está postagem quer ser uma justificação a este novo blog.
A maioria das postagens do Diário de emoções são tristes.. quando lá escrevia apercebi-me que a maior parte das vezes que estou triste fico com as emoções muito mais à flor da pele e é na poesia e na escrita que busco algum conforto, tantas vezes em vão..
A última postagem do Diário de emoções foi no dia 23 de novembro de 2012 e nunca mais escrevi.. e nunca mais tive triste..
Quero voltar a escrever, preciso!!!
Como não posso, não quero, voltar a escrever no diário de emoções, resolvi reabrir um espaço, o nome é o mesmo, mas é outro blog..
Não pretendo nada com este blog, nem tão pouco que seja diário.. quero apenas que seja triste..
Este é um blog das coisas tristes!!!